Aquarius e Joaquim: literatura incendiária | Mariposa Cartonera
Mariposa Cartonera é um selo editorial que trabalha de forma sustentável com livros artesanais feitos com capas de papelão coletado nas ruas. As capas são pintadas e costuradas manualmente pelos integrantes do coletivo ou em oficinas realizadas em comunidades da periferia do Recife.
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Aquarius e Joaquim: literatura incendiária

Dizem que quando há condições ideais, a ficção não costuma ser muito boa. Talvez pela falta de necessidade de criar mundos possíveis, talvez pela literatura ser uma forma de revolução. Mas as palavras também servem para aprisionar: se fossem inofensivas, as religiões não teriam se apropriado da criação do verbo em suas mitologias, não precisaríamos explicar nas escolas a diferença semântica entre liberal e libertário e não teríamos uma constituição escrita para proteger a propriedade privada.

O retrocesso, que já tomou conta da política, se espraia pelas artes e pelo discurso popular. O liberalismo econômico sempre foi o único filho “revolucionário” aceito pela família brasileira. Carismático, conhecedor da técnica retórica, bem-vestido, preferencialmente homem e branco, ele não renega o dinheiro, faz alianças questionáveis e mantém bem vivo aquilo que mais mata gente no mundo: família, religião, patriotismo e militarismo.

Desta terra, onde um prefeito-alegoria se elegeu usando a alcunha de João Trabalhador – mesmo pertencendo a uma família que é dona do Brasil desde os tempos das Capitanias Hereditárias –, os guaranis são despejados depois de resistir 517 anos e na qual mantemos orgulhosos, mesmo “independentes”, a bandeira verde e amarela de Bragança e Habsburgo estampada com um lema positivista francês do qual o amor foi extirpado, eu escrevo sobre dois lançamentos de um selo editorial do Recife, que nessas condições nada ideais em que vivemos, traz boa literatura.

A Mariposa Cartonera, uma resistência literária independente, lançou, em 22 de setembro de 2017, dois livros-irmãos: Aquarius Joaquim. As antologias de contos organizadas por Wellington de Melo têm como disparador o nome de duas personagens cinematográficas: Clara, protagonista de Aquarius, de Kleber Mendonça Filho, e o mártir e bode expiatório da inconfidência, Joaquim José da Silva Xavier, retratado no filme Joaquim de Marcelo Gomes.

Em um caminho inverso ao convencional, a literatura se alimenta do cinema desses dois cineastas pernambucanos. Alguns contos apresentados nos livros, não sei se por estímulo ou fruto do estado de exceção que vivemos no Brasil, além dos nomes Clara e Joaquim trazem outras semelhanças: violência e opressão.

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